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Argentina, Gran Chaco em chamas por soja transgênica e gado de corte. #Buycott

Gran Chaco. Florestas em chamas, monoculturas inundadas com pesticidas, desertificação. O relatório do Greenpeace Argentina, Matando a Floresta. #Buycott soja transgênica, óleo de palma e até carne do continente americano.

Gran Chaco, florestas em chamas e desastres de inundações

O Gran Chaco - na Argentina e Paraguai, Bolívia e um pequeno trecho do Brasil - abriga a segunda maior floresta da América do Sul depois da Amazônia. E o mais extenso floresta seca, um 'deserto verde' de origem milenar. Florestas tropicais, mas também savanas, pântanos e campos de salitre, rios e riachos áridos. 3.400 espécies de plantas, 500 espécies de aves, 220 répteis e anfíbios, 150 mamíferos incluindo a onça-pintada, o felino simbólico do qual restam hoje cerca de vinte exemplares. Aqui e em outras três áreas (Santiago del Estero, Salta, Formosa), 80% do desmatamento está concentrado na Argentina, que em 2015 alcançou o 9º lugar no ranking top ten compilado pela FAO. (2)

soja transgênica e gado para abate são os motores do desmatamento selvagem, de acordo com relação 'Matando a Floresta,. Publicado pelo Greenpeace Argentina, em julho de 2019, após um ano de investigações. A devastação de habitats e vegetação nativa, entre outras coisas, comprometeu a capacidade da terra de absorver as violentas inundações de rios e córregos. (3)

Toneladas de agrotóxicos são assim arrastados para as águas do rio em direcção às bacias de abastecimento de água das condutas públicas, assim envenenadas. Alguns prefeitos, como o de Gancedo, estão tentando recomprar recursos já privatizados, para mitigar os efeitos da poluição e evitar a pulverização em áreas contíguas, mas já é tarde demais.

'A terra com florestas nativas absorvem muito mais água do que os solos de soja, pois quase não têm raízes. É por isso que falamos em desertificação, porque a soja transforma o solo em algo não permeável'(4)

Erosão do vento é outra consequência do desmatamento em curso. A ausência de barreiras naturais empurra a areia para todos os lados, prejudicando seriamente a agricultura de subsistência das comunidades locais. Mesmo assim, as culturas tradicionais devem dar lugar às monoculturas submetidas a fertilizantes e pesticidas sintéticos. (5)

Geopolítica e crise ecológica

A batalha dos deveres reacendido nas últimas semanas por Donald Trump contra a China, está estimulando os latifundiários argentinos a acelerar o ecocídio no Gran Chaco. O primeiro produtor de suínos é obrigado a procurar novos fornecedores de soja e fazendeiros Brasileiros - que têm pressa em desmatar a Amazônia para cultive mais soja transgênica  - não são suficientes para compensar a perda dos enormes suprimentos para as estrelas e listras.

Os rendimentos níveis inesperadamente baixos de soja transgênica brasileira agravam ainda mais a voracidade dos gigantes argentinos, que neste momento - em vista das eleições gerais de 27.10.19 - poderão negociar o extermínio do Chaco com candidatos políticos, em nome da revitalização econômica . (6) De fato, os estoques de soja brasileira diminuíram cerca de 80% em relação ao mesmo período do ano anterior. Com um declínio moderado nas exportações (-8% em geral, -11% na China) e um aumento crescente dos preços.

#Buycott! Soja transgênica, óleo de palma e carne bovina no exterior

A exportação de carne bovina na Europa e em Israel é outra causa primária do desastre ecológico em curso. De acordo com dados coletados pelo Greenpeace, a carne argentina é vendida a preços elevados, motivados por sua aparente alta qualidade. Sem prejuízo de seus 'efeitos colaterais', conforme descrito acima. O mercado, assim como no Brasil, está concentrada nas mãos de poucos, que a dominam por meio de sociedades controladas e acordos comerciais.

Cresud por exemplo, na província de Salta, possui uma extensa rede de matadouros, exporta carne bovina e a fornece a outras empresas exportadoras. Além de gerenciar plantações e fazendas de gado. (7) O Frigorífico Bermejo SA, no Chaco, por sua vez, obtém o gado tanto dos grandes produtores de Salta (Cresur e Desdelsur) quanto da Inversora Juramento.

Lidl e Metro, por sua vez, vendem sua própria carne Exportaciones Agroindustriales Argentinas-Carnes Pampeanas, uma subsidiária da Cresud. Eles terão sua conveniência, sem dúvida. Mas é legítimo suspeitar da validade de suas profissões de fé na sustentabilidade socioambiental de seus suprimentos. (8) O que dificilmente resistiria ao escrutínio de Diretrizes ISO 20400.

'Compras sustentáveis [é aquele que] tem os impactos ambientais, sociais e econômicos mais positivos possíveis, ao longo de todo o ciclo de vida'(ISO 20400: 2017).

Que sustentabilidade na carne de gado pastando em terras desmatadas para este fim, alimentados com soja transgênica da Amazônia, Cerrado e Gran Chaco inundados com agrotóxicos? E que sustentabilidade na carne bovina que deriva da clonagem não rastreada, tratada com antibióticos e anabolizantes, alimentados com farinha de animais?

Para a cumplicidade da Europa com os protagonistas de crises sociais e ecológicas sem paralelo - toleradas sem reservas nos tratados tóxicos assinados por Jean Claude Juncker (9) - respondemos com um pedido de certas informações sobre oorigem de todas as carnes servidas pela comunidade (restaurantes, cantinas escolares e hospitalar, restauração). E com o boicote das compras.

#Buycott! #Basta #soiaOGM, #oliodipalma, #carnibovino do continente americano. #NotInOurName, #NonInNostroNostro! As associações que pretendem representar # a sociedade civil juntam-se a nós numa batalha de civilização que não renuncia ao #Respeito aos direitos humanos fundamentais, bem-estar animal e ecossistemas.

#Égalidade!

Dario Dongo

Nota

(1) COMEX, 8.8.2019, iProfessionalArgentina, no objetivo da China para importações de soja
https://www.iprofesional.com/index.php/comex/297480-estados-unidos-exportacion-Argentina-en-la-mira-de-China-para-importaciones-de-soja

(2) Já o Brasil, já sob a presidência de Michel Temer, alcançou o primeiro lugar na classificação planetária de desmatamento (984 mil ha/ano, no quinquênio 2010-2015). Seguido de perto por líder óleo de palma mundial, Indonésia (684 mil ha, no mesmo período. Do lado oposto, destaca-se a China, com 1,542 milhão de hectares de novas florestas a cada ano.
Veja FAO, Avaliação Florestal Global 2015, http://www.fao.org/3/a-i4793e.pdf

(3) José Valentin Derewicki, Mudanças climáticas, desmatamento e inércia: cóctel explosivo para o futuro do Chaco, 9.8.19, http://www.diarionorte.com/suple/178109/se-acorta-el-tiempo-para-un-gran-chaco-americano-sustentable

(4) Prensa Fol, O desmatamento é uma das principais causas das inundações que afetam um Chaco, 24.4.19, https://argentina.indymedia.org/2019/04/24/la-deforestacion-es-una-de-las-principales-causas-de-las-inundaciones-que-afectan-a-chaco/ 

(5) Ver nota 2

(6) Como prova das falsas promessas sobre aumentos hipotéticos de rendimento de culturas OGM. Para mais informações, consulte nosso e-book gratuito 'OGM, o Grande Golpe', em https://www.greatitalianfoodtrade.it/libri/ogm-la-grande-truffa

(7) Além da Argentina, também na Bolívia, Brasil e Paraguai

(8) O Lidl alega ter iniciado recentemente uma alteração nas suas políticas de compras, em https://www.lidl.it/it/csr-commercio-responsabile.htm.
Até o Metro, em seu site, tenta tranquilizar os clientes narrando cadeias de suprimentos rastreáveis ​​e 'justas' para animais e trabalhadores, https://www.metro.it/metro-piu/piu-servizio/materie-prime/carne
(9) Sobre os tratados de toxicidade concluídos e realizados pela Comissão Juncker veja os artigos anteriores, e outros a serem pesquisados ​​através de palavras-chave em nosso site:

- Canadá, CETA https://www.greatitalianfoodtrade.it/idee/ceta-l-autunno-della-democrazia,
- Japão, JEFTA https://www.greatitalianfoodtrade.it/idee/accordo-ue-giappone-il-cambiamento-s-è-perso,
- EUA, TTIP https://www.greatitalianfoodtrade.it/mercati/ttip-via-libera-dell-europa-ai-nuovi-negoziati,
- Indonésia, CEPA https://www.greatitalianfoodtrade.it/consum-attori/olio-di-palma-fuori-dall-accordo-ue-indonesia-petizione.

Outras reflexões sobre https://www.greatitalianfoodtrade.it/idee/ttip-e-altri-accordi-di-partenariato-riflessioni

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Dario Dongo, advogado e jornalista, doutor em direito alimentar internacional, fundador da WIISE (FARE - GIFT - Food Times) e da Égalité.

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